Economista, Especialista em Economia e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Paraná e Graduando em Estatística, também, pela Universidade Federal do Paraná.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Produção industrial no Brasil fica estagnada em agosto, diz IBGE

RIO DE JANEIRO, 2 Out (Reuters) - A produção industrial brasileira ficou estagnada em agosto frente a julho, marcando o segundo mês sem crescimento, afetada sobretudo pelo segmento de bens de consumo, apesar do bom desempenho dos bens de capital.

Sobre um ano antes, a produção teve queda de 1,2 por cento em agosto, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

De acordo com pesquisa da Reuters junto a 22 analistas, a expectativa era de que a produção industrial subisse 0,15 por cento em agosto ante julho e recuasse 0,75 por cento sobre o mesmo mês de 2012.

O cenário para a indústria brasileira é pior ainda porque o IBGE também revisou para baixo o desempenho de julho, cuja queda mensal passou a 2,4 por cento, ante 2 por cento.

Em agosto, a categoria Bens de Consumo registrou queda de 0,6 por cento sobre julho, com recuo anual de 2,8 por cento. Por outro lado, a categoria Bens de Capital, medida de investimentos, apresentou alta mensal de 2,6 por cento e anual, de 11,8 por cento em agosto.

Já a categoria Bens Intermediários teve expansão mensal de 0,6 por cento e queda anual de 2 por cento, respectivamente.

Pelos ramos de atividade, 15 dos 27 pesquisados apresentaram alta mensal, com destaque para veículos automotores (1,7) e alimentos (2,5 por cento).

Entre as atividades que reduziram a produção, o IBGE destacou a indústria farmacêutica, que recuou 5,6 por cento em agosto,citando ainda bebidas (-3,1 por cento) e outros equipamentos de transporte (-3,7 por cento).

A atividade industrial brasileira tem registrado comportamento errático ao longo deste ano.

Um dos principais abalos é a falta de confiança entre os vários setores da economia. Em agosto a confiança da indústria apurada pela Fundação Getulio Vargas renovou o menor nível desde julho de 2009, ao recuar 0,6 por cento.

Fonte: Reuters Brasil

Desconforto

Por Antonio Delfim Netto*

A situação econômica no Brasil tem feito pouco progresso, mas não justifica o enorme pessimismo que se criou em torno dela. Os resultados das políticas fiscal e monetária não são confortáveis, mas não há qualquer indicação que a primeira seja insustentável, ainda que no longo prazo existam nuvens negras como a seguridade social não resolvida; ou que a segunda seja incapaz de manter a inflação dentro do intervalo da meta, ainda que o seu retorno ao centro exija a absorção de alguma inflação reprimida.

A política cambial foi corrigida pela ação do próprio mercado, não sem antes ter comprometido o setor industrial e acumulado mais de US$ 280 bilhões de deficit em conta corrente nos últimos seis anos.

Não há nada, portanto, que ponha em risco a nossa estabilidade. É o desconforto persistente e acumulado --sem clara resposta de reformas de longo prazo para atenuá-lo-- que: 1º) aumenta a dúvida do setor privado, reduz seus investimentos e sua confiança no governo; 2º) leva as agências de rating a ameaçar a classificação do Brasil e 3º) estimula reações raivosas de parte dos intermediários financeiros nacionais e internacionais aos quais não faltam "novidades" produzidas por 12 índices de preços semanais, quinzenais e mensais gratuitos e um índice diário oneroso. Por fim, mas não menos importante, 4º) propiciam mudanças rápidas de opiniões importantes como a da "Economist", na última semana.

No mesmo momento em que a presidente Dilma reafirmava num seminário em Nova York "que o equilíbrio das contas públicas é precondição para nosso crescimento" e que "precisamos não só dos recursos, mas da gestão do setor privado, que é mais eficiente, mais ágil e de menor custo, a "Economist", que colocara numa capa de 2009 o Cristo Redentor (o Brasil) decolando, reviu suas expectativas e publicou agora nova capa com Ele "estolando" e perguntando: "Eles estragaram tudo?".

A primeira observação é que a economia brasileira parece ter importância para merecer duas capas! A segunda é, gostemos ou não, a "Economist" é a revista econômica semanal mais lida no mundo por leigos e acadêmicos de todas as convicções ideológicas. Trata-se de uma instituição com as certezas e a arrogância que lhe conferem os seus 170 anos bem vividos (foi fundada em 1843 e já passou por dificuldades financeiras) na defesa intransigente da mesma tese: a liberdade dos mercados é a melhor solução para os problemas econômicos.

Deve ser entendida na sua importância e no seu dogmatismo, com o mesmo humor e ironia britânicos com que elogia ou critica. Certamente exagerou para o bem em 2009. Vingou-se exagerando para o mal em 2013. Exagerou, mas não inventou nada.

*Antonio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda (governos Costa e Silva e Médici), é economista e ex-deputado federal. Professor catedrático na Universidade de São Paulo.

Fonte: Folha de S. Paulo

Teto da dívida dos EUA é o que mais preocupa o investidor

Empresas e investidores americanos em geral não deram muita atenção à primeira paralisação do governo dos Estados Unidos em 17 anos, mostrando-se mais preocupados com a batalha sobre a ampliação do limite de endividamento do governo federal, que consideram a principal ameaça à economia e aos mercados do país.

O fechamento parcial de agências do governo, uma consequência da falta de acordo entre parlamentares sobre o orçamento federal para o ano fiscal iniciado ontem, colocou em descanso forçado mais de 800.000 funcionários públicos, afetando serviços em todo o país. Espera-se que os efeitos da paralisação aumentem caso as negociações se arrastem em Washington.
Mas os investidores não se abalaram, reconfortados pelas experiências dos últimos dois anos, em que as batalhas orçamentárias foram rapidamente resolvidas. A Média Industrial Dow Jones subiu 0,4%, fechando com 15.191,70 pontos e revertendo metade do declínio de segunda-feira.

A calma inicial elevou a perspectiva de que os parlamentares enfrentem pouca pressão imediata de Wall Street para pôr fim ao impasse sobre como financiar as operações do governo. "A falta de uma reação severa do mercado provavelmente reduz a urgência para que as partes cheguem a um acordo", disse Neal Soss, economista do Credit Suisse CSGN.VX 0.00% .

A expectativa, com base na experiência anterior, é de que a paralisação cause poucos danos à economia dos EUA. Economistas do J.P. Morgan Chase JPM -0.50% estimaram ontem que cada semana de paralisação diminuiria o ritmo anualizado de crescimento econômico no quarto trimestre em 0,12 ponto percentual, devido à redução do pagamento dos funcionários públicos. A previsão não leva em conta os efeitos do fechamento das agências federais no setor privado ou os danos à confiança dos consumidores.

[image]
Os salários congelados podem ser recuperados depois que a paralisação termine, se o Congresso se comprometer em compensar os trabalhadores retroativamente pelos dias de folga, como já aconteceu no passado.

Para Derek Volk, presidente da Volk Packaging Corp., uma empresa de embalagens do Estado americano de Maine, a paralisação do governo é um potencial obstáculo para uma empresa que vinha crescendo de maneira estável este ano. Volk quase dobrou sua força de vendas e investiu em novos equipamentos em 2013, mas teme que os problemas do governo terminem emperrando a economia de sua região.

"Eu sei que vai ser um belo fim de semana para se ver a folhagem de outono de Maine, mas os turistas não poderão visitar o parque nacional Acadia", disse. Os parques nacionais estão entre as agências afetadas pela paralisação. "Eles não vão comer nos restaurantes locais ou se hospedar em hotéis e, por consequência, não vão consumir os produtos que embalamos."

O maior risco para a economia e os mercados é a possibilidade de um impasse sobre como aumentar o limite de endividamento do governo, em meados de outubro. Sem a elevação do teto da dívida, o governo pode ficar sem dinheiro para pagar suas contas, tais como cheques da previdência social, os salários dos militares e os juros sobre a dívida pública, o que os analistas dizem que poderia causar uma grave turbulência financeira.

O Escritório de Orçamento do Congresso afirma que os EUA vão começar a ficar inadimplente no fim de outubro se o Congresso não aumentar o teto da dívida.

O governo atingiu seu limite de endividamento de US$ 16,7 trilhões em maio e desde então vem usando medidas de emergência para economizar dinheiro.

Medir o curso da economia pode ficar mais difícil nas próximas semanas. As principais agências de estatísticas econômicas dos EUA suspenderam suas operações por causa da paralisação.

Um dos relatórios mais aguardados — os dados de emprego de setembro — não deverá ser divulgado na sexta-feira se a paralisação continuar. Os dados são importantes para as autoridades do Federal Reserve, o banco central americano, avaliar quanto tempo deve continuar o seu programa de compra de ativos, que vem impulsionando os mercados. O governo ainda pretende divulgar um relatório semanal sobre pedidos iniciais de seguro-desemprego na quinta-feira, já que esses dados são produzidos em grande parte por órgãos estaduais e compilados pelo Departamento de Trabalho.

Outro foco de atenção será o desempenho do dólar nos mercados. O dólar chegou a cair para seu nível mais baixo em relação ao euro em mais de sete meses e o nível mais baixo em relação à libra esterlina desde janeiro, durante as primeiras horas após o começo da paralisação do governo. Mais tarde, a moeda recuperou a maior parte das perdas e o índice do dólar WSJ fechou o dia com queda de 0,2% a 72,54 pontos.

A reação é um sinal de que o dólar poderia sofrer grandes oscilações em outubro, dizem investidores. "É justo dizer que a paralisação não vai ajudar a economia dos EUA," disse Kit Juckes, estrategista macroeconômico do Société Générale, GLE.FR +2.91% em Londres.

Fonte: The Wall Street Journal

A ascensão do capitalismo

O sistema pré-capitalista de produção era restritivo.  Sua base histórica era a conquista militar.  Os reis vitoriosos cediam a terra conquistada aos seus paladinos.  Esses aristocratas eram lordes no sentido literal da palavra, uma vez que eles não dependiam de satisfazer consumidores; seu êxito não dependia de consumidores consumindo ou se abstendo de consumir seus produtos no mercado.
Por outro lado, eles próprios eram os principais clientes das indústrias de processamento, as quais, sob o sistema de guildas, eram organizadas em um esquema corporativista (as corporações de ofício).  Tal esquema se opunha fervorosamente a qualquer tipo de inovação.  Ele proibia qualquer variação e divergência dos métodos tradicionais de produção.  Era extremamente limitado o número de pessoas para quem havia empregos até mesmo na agricultura ou nas artes e trabalhos manuais.  Sob essas condições, vários homens, para utilizar as palavras de Malthus, descobriram que "não há vagas para eles no lauto banquete da natureza", e que ela, a natureza, "o ordena a dar o fora".[1]  Porém, alguns destes proscritos ainda assim conseguiram sobreviver e ter filhos.  Com isso, fizeram com que o número de desamparados crescesse desesperadoramente. 

Mas então surgiu o capitalismo.  É costume ver as inovações radicais que o capitalismo produziu ao substituir os mais primitivos e menos eficientes métodos dos artesãos pelas fábricas mecanizadas.  No entanto, esta é uma visão bastante superficial.  A feição característica do capitalismo que o distinguiu dos métodos pré-capitalistas de produção era o seu novo princípio de distribuição e comercialização de mercadorias.

O capitalismo não é simplesmente produção em massa, mas sim produção em massa para satisfazer as necessidades das massas.  As artes e os trabalhos manuais dos velhos tempos eram voltados quase que exclusivamente para os desejos dos abastados.  E então surgiram as fábricas e começou-se a produzir bens baratos para a multidão.  Todas as fábricas primitivas foram concebidas para servir às massas, a mesma camada social que trabalhava nas fábricas.  Elas serviam às massas tanto de forma direta quanto indireta: de forma direta quando lhes supriam produtos diretamente, e de forma indireta quando exportavam seus produtos, o que possibilitava que bens e matérias-primas estrangeiros pudessem ser importados.  Este princípio de distribuição e comercialização de mercadorias foi a característica inconfundível do capitalismo primitivo, assim como é do capitalismo moderno.

Os empregados são eles próprios os consumidores da maior parte de todos os bens produzidos em uma economia.  Eles são os consumidores soberanos que "sempre têm razão".  Sua decisão de consumir ou de se abster de consumir determina o que deve ser produzido, em qual quantidade, e com que qualidade.  Ao consumirem aquilo que mais lhe convém, eles determinam quais empresas obtêm lucros e quais sofrem prejuízos.  Aquelas que lucram expandem suas atividades e aquelas que sofrem prejuízos contraem suas atividades.  Desta forma, as massas, na condição de consumidores no mercado, estão continuamente retirando o controle dos fatores de produção das mãos dos empreendedores menos capazes e transferindo-o para as mãos daqueles empreendedores que são mais bem sucedidos em satisfazer seus desejos.

Sob o capitalismo, a propriedade privada dos fatores de produção por si só representa uma função social.  Os empreendedores, os capitalistas e os proprietários de terras são os mandatários, por assim dizer, dos consumidores, e seus mandatos são plenamente revogáveis.  Em um mercado livre e desimpedido, no qual não há regulamentações, subsídios ou protecionismos estatais, para um indivíduo ser rico, não basta ele ter poupado e acumulado capital.  É necessário que ele invista, contínua e repetidamente, naquelas linhas de produção que melhor atendam aos desejos dos consumidores.  O processo de mercado torna-se um plebiscito que é repetido diariamente, e que inevitavelmente expulsa da categoria dos eficazes e rentáveis aquelas pessoas que não empregam sua propriedade de acordo com as ordens dadas pelo público.  Consequentemente, em um mercado livre de protecionismos e privilégios concedidos pelo governo, as grandes empresas — sempre o alvo do ódio fanático de todos os governantes e de pretensos intelectuais — adquirem e mantêm seu tamanho unicamente pelo fato de elas atenderem aos desejos das massas.  As indústrias voltadas para satisfazer os luxos de poucos jamais adquirem um tamanho significativo.

A principal falha dos historiadores e políticos do século XIX foi terem se mostrado incapazes de perceber que os trabalhadores eram os principais consumidores dos produtos das indústrias.  Na visão deles, o assalariado era um homem trabalhando árdua e exaustivamente para beneficiar unicamente uma classe ociosa e parasítica.  Tais pessoas estavam sob a ilusão de que as fábricas haviam prejudicado todos os trabalhadores manuais.  Tivessem eles prestado um pouco mais de atenção nas estatísticas, teriam facilmente descoberto a falácia desta sua opinião.  A mortalidade infantil foi reduzida, a expectativa média de vida aumentou, a população se multiplicou e o cidadão comum passou a usufruir confortos que os mais abastados das épocas mais antigas sequer sonhavam existir.

No entanto, este enriquecimento sem precedentes das massas foi meramente um subproduto da Revolução Industrial.  Sua principal façanha foi retirar a supremacia econômica das mãos dos proprietários de terra e transferi-la para a totalidade da população.  O cidadão comum não mais era um servo que tinha de se satisfazer com as migalhas que caíam das mesas dos ricos.  As três castas párias que caracterizaram as épocas pré-capitalistas — os escravos, os servos, e aquelas pessoas a quem os autores patrísticos e escolásticos, bem como a legislação britânica dos séculos XVI ao XIX, se referiam como 'os pobres' — desapareceram.  Seus descendentes se tornaram, neste novo arranjo econômico, não apenas trabalhadores livres, mas também consumidores.

Esta mudança radical se refletiu na ênfase que as empresas passaram a dar aos mercados.  O que uma empresa necessita acima de tudo é de mercados e mais mercados.  'Atender ao mercado' passou a ser o lema das empresas capitalistas.  Mercados — isto significa clientes, compradores, consumidores.  Sob um capitalismo genuíno, livre de privilégios estatais, há apenas uma forma de enriquecer: servir aos consumidores de uma maneira melhor e mais barata do que fazem as outras pessoas, os concorrentes.

Dentro das empresas e indústrias, o proprietário — ou, nas grandes corporações, o representante dos acionistas, o presidente — é o chefe.  Porém, este controle é apenas aparente e condicional.  Ele está sujeito à supremacia dos consumidores.  O consumidor é o rei, é o verdadeiro chefe, e o produtor estará acabado caso ele não supere seus concorrentes na disputa de melhor servir aos consumidores.

Foi esta grande transformação econômica que mudou a face do mundo.  Ela rapidamente transferiu o poder político das mãos de uma minoria privilegiada para as mãos do povo.  À emancipação industrial seguiu-se o direito ao voto para os adultos.  O cidadão comum, para quem o processo de mercado havia dado o poder de escolher os empreendedores e os capitalistas, adquiriu o poder análogo no campo governamental.  Ele se tornou um eleitor.

Já foi observado por eminentes economistas, creio que primeiramente por Frank A. Fetter, que o mercado é uma democracia na qual cada centavo dá direito a votar.  Seria mais correto dizer que um governo representativo escolhido pelas pessoas é uma tentativa de se arranjar as questões constitucionais de acordo com o modelo do mercado.  Porém, tal intento jamais pode ser completamente realizado.  No campo político, será sempre a vontade da maioria que irá prevalecer, de modo que as minorias devem se limitar apenas a aquiescer.  Já no mercado, as minorias também são servidas, desde que elas não sejam tão insignificantes em número a ponto de se tornarem negligenciáveis.  A indústria de vestuário produz roupas não somente para pessoas normais, mas também para os obesos, e as editoras não publicam somente romances policiais para as massas, mas também livros para leitores específicos e exigentes.

Há uma segunda e importante diferença.  Na esfera política, não há como um indivíduo ou um pequeno grupo de indivíduos desobedecerem à vontade da maioria.  Porém, no campo intelectual, a propriedade privada faz com que rebeliões sejam possíveis.  O rebelde tem um preço a pagar por sua independência; não há prêmios neste universo que possam ser conquistados sem sacrifícios.  Porém, se um homem estiver disposto a pagar o preço, ele é livre para divergir e se afastar da ortodoxia ou da neo-ortodoxia dominante.

Quais teriam sido as condições, nas comunidades socialistas, para heréticos como Kierkegaard, Schopenhauer, Veblen ou Freud? Para Monet, Courbet, Walt Whitman, Rilke ou Kafka?  Em todas as épocas, os pioneiros e desbravadores das novas formas de pensamento e atitude só puderam atuar porque a propriedade privada tornou possível que indivíduos pudessem expressar seu descontentamento para com a maioria e, consequentemente, pudessem praticar sua desobediência.  Apenas alguns poucos destes separatistas eram economicamente independentes o suficiente para desafiar o governo perante as opiniões da maioria.  Os outros tiveram de procurar (e encontraram) na livre economia pessoas preparadas para ajudá-los e lhes fornecer suporte.  O que teria sido de Marx sem seu patrono, o industrial Friedrich Engels?



Este artigo foi extraído do livro Liberty & Property.


[1] Thomas R. Malthus, An Essay on the Principle of Population (Ensaio sobre a População), 2nd ed. (London, 1803), p. 531.

Fonte: Instituto Mises Brasil

Investidor evita risco e migra para aplicações mais seguras

Com incertezas em relação a fundamentos macroeconômicos e volatilidade dos mercados, mais de R$ 14 bilhões saíram dos fundos multimercados recentemente

São Paulo - As incertezas no mercado quanto ao cenário externo e doméstico estão levando os investidores a fugirem do risco e buscarem investimentos mais seguros. Esse movimento é fortemente marcado na indústria de fundos, onde os recursos estão saindo das aplicações consideradas mais arriscadas, como os multimercados. Em 30 dias, até 24 de setembro, os saques na indústria de fundos superaram os depósitos em R$ 13,868 bilhões, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). As saídas foram puxadas, principalmente, pelos saques nos fundos multimercados, que totalizaram R$ 14,482 bilhões no período, com destaque para as categorias de juros e moedas, com saídas de R$ 12,614 bilhões, e multiestratégias - saques de R$ 1,610 bilhão.

Grande parte dos recursos, segundo analistas, foi realocada dentro da própria indústria, basicamente os referenciados DIs, que estão com captação positiva em R$ 6,353 bilhões no período.

Rodrigo Borges, gestor de fundos multimercados do HSBC, avalia que no final do ano passado, com a queda do juro básico da economia, houve uma busca, por parte do investidor, de aplicações que dessem maior retorno, como renda fixa e multimercados. Este ano, com o Banco Central voltando a subir os juros e as dúvidas sobre questões macroeconômicas do país e internacionais, está acontecendo o movimento inverso.

"Em 2012, os investidores aumentaram o risco do portfólio, saindo do DI e entrando em fundos atrelados a índices e multimercados. Todo mundo estava procurando rentabilidade. Agora, estão voltando para o lugar que é mais seguro, como DIs e até a caderneta de poupança", disse. Os fundos DIs têm como referência o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que segue a taxa Selic. Quanto maior ela for, melhor a rentabilidade destes fundos.

A taxa básica de juros, a Selic, começou 2012 em 10,50% ao ano e acabou em 7,25%. Hoje, está em 9% ao ano. "Quando a Selic estava em 7%, o juro no DI era quase zero. Agora, com a taxa básica a 9%, 10%, essa aplicação já compensa mais para o investidor", afirma Borges.

Patricia Stille, da XP Investimentos, acrescenta que o investidor de varejo ainda não está preparado e não tem paciência para esperar melhoras no mercado. "Eles estão acostumados com determinado patamar de retorno e quando começam a ver o fundo abaixo da expectativa voltam para o DI."

Arnaldo Curvello, diretor de gestão de recursos da Ativa Corretora, ressalta que há muita volatilidade no mercado e isso está afastando o investidor das aplicações de maior risco. "Os fundamentos da economia, do ponto de vista macro, pioraram", diz. Ele cita como exemplo a frustração em torno do leilão de concessões de rodovias, que não teve interessados para um dos trechos e levou o governo federal a mudar a tática. Depois do fracasso no leilão da BR-262, entre Minas Gerais e Espírito Santo, o governo decidiu mudar as regras dos próximos leilões. Apesar da ação rápida do governo, os investidores, principalmente estrangeiros, não veem com bons olhos a questão, segundo analistas. Os investimentos em infraestrutura são considerados importantes para darem sustentação ao crescimento da economia brasileira.

"Os fundos multimercados têm performance melhor em cenários positivos do que em momentos em que o cenário está incerto", explica Curvello. Segundo ele, outro fator, mais psicológico, também acabou provocando saques nestes fundos. "O investidor que está com aplicação em multimercados e vê sua rentabilidade caindo enquanto a Bolsa está subindo, como aconteceu recentemente, acaba sacando o dinheiro ou realocando-o para o CDI (certificado de depósito interfinanceiro). Isso acaba gerando uma correção técnica."

Quantos os fundos multimercados de juros e moedas, Curvello considera que com a injeção de liquidez no mercado, com os leilões diários do Banco Central de venda do dólar, quem estava posicionado nestes fundos está saindo. O Banco Central anunciou na semana passada que fará leilões de venda de dólares diariamente até o fim do ano. O objetivo é segurar a alta da moeda norte-americana. A autoridade monetária poderá injetar até US$ 60 bilhões no mercado neste período. Trata-se da maior intervenção desse tipo desde o auge da crise internacional, em 2008.

Depois de quatro meses de alta em relação ao real, o dólar caiu 2% em setembro - maior recuo mensal em dois anos, ficando entre os piores investimentos do mês. O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), que subiu 4,6% em setembro, liderou o ranking de investimentos do mês.

Fonte: Brasil Econômico

terça-feira, 1 de outubro de 2013

IPC-S sobe 0,30% em setembro, ante 0,20% em agosto--FGV

SÃO PAULO, 1 Out (Reuters) - O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) registrou em setembro alta de 0,30 por cento, depois de encerrar agosto com alta de 0,20 por cento, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira.

Na terceira quadrissemana de setembro, o indicador havia registrado alta de 0,27 por cento.

Com o resultado de setembro, o IPC-S acumula alta de 3,63 por cento no ano e de 5,29 por cento nos últimos 12 meses, depois de acumular 5,54 por cento em agosto.

Na comparação com a terceira quadrissemana do mês, o destaque ficou para o grupo Habitação. Nesta classe de despesa, a FGV destacou o comportamento do item eletrodomésticos e equipamentos, cuja taxa passou de queda de 0,02 por cento, para alta de 0,60 por cento.

Diante do cenário de inflação elevada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciou novo ciclo de aperto monetário em abril e já elevou a Selic de 7,25 por cento para o atual patamar de 9 por cento ao ano.

Uma das principais preocupações no momento é a alta recente do dólar e seu potencial impacto sobre a inflação. Tanto que o BC anunciou um programa de leilões cambiais diários com o objetivo de "prover hedge cambial aos agentes econômicos e liquidez ao mercado".

Fonte: Reuters Brasil

Começa paralisação do governo dos EUA; impasse no Congresso continua

WASHINGTON, 1 Out (Reuters) - O governo dos Estados Unidos começou uma paralisação parcial nesta terça-feira pela primeira vez em 17 anos, colocando até 1 milhão de trabalhadores em licença não remunerada, fechando parques nacionais e atrasando projetos de pesquisa médica.

Agências federais foram direcionadas a reduzir os serviços, depois que os parlamentares não conseguiram romper um impasse político que provocou novas dúvidas sobre a capacidade de um Congresso profundamente dividido executar suas funções mais básicas.

Depois que os republicanos da Câmara apresentaram uma oferta tardia para romper o impasse, o líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid, rejeitou a ideia, dizendo que os democratas não entrariam em negociações oficiais sobre gastos "com uma arma na cabeça" na forma de paralisação do governo.

Nas horas anteriores ao prazo final (meia-noite de Washington), o Senado controlado pelos democratas repetidamente esvaziou as medidas aprovadas pela Câmara que amarravam temporariamente o financiamento para as operações do governo a atrasar ou redimensionar a reforma do setor de saúde conhecida como "Obamacare".

Pouco depois da meia-noite, o presidente Barack Obama tuitou: "A Lei de Serviços de Saúde Acessíveis ("Obamacare") segue adiante. Vocês não podem paralisá-la".

Se a paralisação representa outro obstáculo na estrada para um Congresso cada vez mais assolado por disfunções, ou se é um sinal de uma paralisação mais alarmante no processo político, será determinado pela reação do eleitorado e de Wall Street.

O dólar caiu 0,2 por cento. O preço da nota do Tesouro americano em 10 anos, uma referência estável para os mercados de títulos, caiu 0,3 por cento. O futuro de S&P subiu 0,5 por cento, apontando para uma alta na abertura de Wall Street. Na segunda-feira, o índice S&P 500 fechou com uma baixa de 0,6 por cento, pressionado por fornecedores da área de defesa, já que a paralisação provavelmente vai diminuir seus novos negócios.

A perturbação política no Congresso também levantou novos temores sobre se os parlamentares podem cumprir um prazo vital em meados de outubro para elevar o teto da dívida do governo, de 16,7 trilhões de dólares.

"Pode se seguir um default técnico do Tesouro, provocando queda nos mercados financeiros", escreveu o analista da ING Tom Levinson.

Depois de perder o prazo para evitar a paralisação, republicanos e democratas na Câmara continuaram um amargo jogo de empurra, cada lado colocando a responsabilidade no outro em esforços de redirecionar uma possível repercussão pública.

Se o Congresso conseguir chegar logo a um acordo sobre uma nova lei de financiamento do governo, a paralisação duraria dias em vez de semanas. Mas não há sinais de uma estratégia para reunir os partidos.

De olho nas eleições do Congresso em 2014, os dois partidos tentaram se livrar da responsabilidade pela paralisação. O presidente Barack Obama acusou os republicanos de estarem endividados demais com os conservadores do Tea Party na Câmara dos Deputados, e disse que a paralisação poderia ameaçar a recuperação econômica.

As apostas políticas são altas principalmente para os republicanos, que vão tentar recuperar o controle do Senado no ano que vem. As pesquisas mostram que é mais provável que eles sejam responsabilizados pela paralisação, como aconteceu na última, em 1996.

"Alguém vai ganhar e alguém vai perder", disse o pesquisador de opinião pública Peter Brown, da Universidade Quinnipiac. "Obama e os democratas têm uma pequena vantagem".

POLARIZAÇÃO POLÍTICA

A paralisação, o auge de três anos de polarização política crescente e de governo dividido, foi liderada pelos conservadores do Tea Party, unidos em sua oposição a Obama, seu desgosto pela lei de reforma do sistema de saúde do presidente e suas promessas de campanha de controlar os gastos do governo.

Obama se recusou a negociar as exigências e advertiu que uma paralisação poderia "atirar uma chave inglesa nas engrenagens de nossa economia".

Alguns escritórios do governo e parques nacionais serão fechados, mas os gastos para as funções essenciais relacionadas à segurança nacional e pública continuarão, incluindo o pagamento para os soldados norte-americanos.

"Não é um choque ter havido uma paralisação, o choque é não ter acontecido antes", disse o estrategista republicano John Feehery, um ex-assessor do Congresso. "Temos um governo dividido com opiniões tão diametralmente opostas, precisamos de uma crise para obter qualquer tipo de resultado".

"A chave para isso não é o que acontece em Washington", disse o estrategista democrata Chris Kofinis. "A chave é o que acontece no mundo real. Quando o público começar a se rebelar e o mercado financeiro começar a se dissolver, aí vamos ver o que esses caras fazem".

Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que um quarto dos norte-americanos culparia os republicanos por uma paralisação, 14 por cento culpariam Obama e 5 por cento iriam culpar os democratas no Congresso, enquanto 44 por cento disseram que todos tinham culpa.

Não está claro quanto tempo a paralisação vai durar, e não há um plano nítido para romper o impasse. O Senado paralisou os trabalhos até as 9h30 (10h30 no horário de Brasília) desta terça-feira, quando os democratas esperam rejeitar oficialmente a última oferta da Câmara dos Deputados para financiar o governo.

A paralisação vai continuar até que o Congresso resolva suas diferenças, o que pode significar dias ou meses. Mas o conflito pode se espalhar para a disputa mais importante sobre aumentar a capacidade de endividamento do governo federal.

Um fracasso em aumentar o teto da dívida de 16,7 trilhões de dólares iria forçar o país a não cumprir com suas obrigações, dando um golpe potencialmente doloroso na economia e enviando ondas de choque aos mercados mundiais.

Alguns analistas dizem que uma breve paralisação do governo --e um resultante revés contra os parlamentares-- poderia esfriar as exigências republicanas em um confronto sobre o limite da dívida.

Fonte: Reuters Brasil