Economista, Especialista em Economia e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Paraná e Graduando em Estatística, também, pela Universidade Federal do Paraná.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

OCDE pede investimento em educação como saída para crise

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) fez um apelo a seus países-membros nesta quinta-feira para que invistam em educação como solução a longo prazo para a crise econômica, diante do custo que o fracasso escolar dos jovens tem para a sociedade. Seu estudo sobre "Equidade e qualidade da educação", divulgado nesta quinta-feira, conclui que uma população com níveis reduzidos de ensino mina a capacidade de seus países de produzir, crescer e inovar, além de prejudicar a coesão social e impor despesas adicionais à administração pública.
A face mais visível do fracasso escolar, segundo a organização, é o abandono dos estudos, que em 2011 tinha alcançado 20% dos jovens de entre 25 e 34 anos desses países, com variações que foram de 3% na Coreia a 36% na Espanha e 62% na Turquia. A OCDE detalha que em 2010 havia 15 milhões de jovens sem emprego em seus países-membros, quatro milhões a mais do que em 2007, enquanto apenas a metade dos que haviam deixado a escola tinha um emprego, o que os torna mais dependentes dos serviços sociais e da saúde pública.
"Reduzir o fracasso escolar economiza despesas a longo prazo", explicou Beatriz Pont, uma das autoras da análise, para quem o crítico contexto econômico atual é uma razão a mais para "não baixar a guarda" e seguir apostando em sua melhora. O estudo reúne dados de avaliações anteriores da organização e não apresenta um novo ranking dos países, mas aproveita essa informação para oferecer recomendações sobre políticas que se mostraram efetivas.
Seu alerta parte do princípio que um sistema educacional justo pode corrigir desigualdades econômicas e sociais mais amplas e reduzir o desemprego juvenil: em 2009, segundo seus dados, 84% das pessoas com educação superior na OCDE trabalhavam, contra 56% das que não tinham terminado o ensino médio.
Por essa razão, o documento destaca a importância de solucionar o problema já no início da educação, porque de um ponto de vista econômico, segundo seus cálculos, cada dólar investido nessa etapa gera posteriormente entre sete e dez centavos ao ano. O estudo, o primeiro que o organismo realiza sobre o assunto, ressalta ainda que o apoio aos professores, ao estudo e aos incentivos que retenham os melhores professores, é outro dos pontos-chave nessa luta.

Fonte: Terra

Setor de GLP cresceu 2,44% em 2011 e superou previsões

Por Alana Gandra Agência Brasil

Divulgação/Gás Natural Fenosa
Construção de gasodutos da Gás Natural Fenosa
O presidente do Sindigás destacou um aumento significativo na competitividade do GLP frente ao gás natural para usuários de consumo mais baixo
Rio de Janeiro - O setor brasileiro de gás liquefeito de petróleo (GLP) encerrou o ano passado com um total de 7,1 milhões de toneladas comercializadas, mostrando crescimento de 2,44% em relação a 2010. O resultado superou a previsão inicial, que era uma expansão em torno de 2,20%, informou à Agência Brasil o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello.
Houve também expansão de 2,06% na comercialização de GLP em embalagens de 13 quilos. Na versão granel, o aumento foi mais significativo: 3,45%. Esse tipo de GLP é vendido em centrais de gás para indústrias, em condomínios e no comércio, quando um caminhão reabastece um depósito. “Esse é um mercado que vem experimentando crescimento maior do que o mercado de botijões”, informou Mello.
Ele lamentou que apesar do plano de investimentos da Petrobras, o Brasil ainda não conseguiu a autossuficiência em GLP. No ano passado, devido a atrasos em alguns planos de negócios da estatal, como a implantação de refinarias, foram importados 26% de GLP. ”Mas a gente continua confiante que, com as descobertas de gás natural, haverá um aumento importante da oferta de GLP". A expectativa é que com isso, o Brasil se torne autossuficiente na produção ntre 2015 e 2020.
O presidente do Sindigás destacou um aumento significativo na competitividade do GLP frente ao gás natural para usuários de consumo mais baixo, abrangendo não só indústrias e o comércio, mas residências. Segundo Mello, no Rio de Janeiro, o gás natural chega ao consumidor 68% mais caro que o GLP. Isso pode ser explicado pelo modo de transporte do gás natural, que torna o produto mais caro. “O gás natural consegue se viabilizar se na ponta tiver uma (usina) térmica. Para outros usos menos intensos, acaba que o modal de transporte fica caro. Eu brinco que vender energia em lata cada vez se prova mais viável”.
Atualmente, cinco grupos empresariais, que somam nove companhias, respondem por 90% do mercado de GLP no país. Esse tipo de combustível está presente em mais de 95% das casas. Em termos de consumo, entretanto, ele representa 26,6% da matriz energética residencial brasileira, vindo atrás da energia elétrica e da lenha. Na matriz energética nacional, a participação do GLP é 3,6%, disse Mello. A estimativa é chegar a 4,2% até 2020. Para isso, terão de ser superados alguns desafios. “O primeiro é conseguir que a sociedade perceba o GLP além da cozinha”. Ele lembrou que as pessoas costumam ver o GLP apenas como bujão.
O principal alvo, enfatizou Mello, é ocupar parte do espaço ocupado pelo chuveiro elétrico para o aquecimento de água. Hoje, 80% da água doméstica são aquecidos com energia elétrica. A utilização do GLP para essa finalidade representa menos custo para o consumidor, além de ser “um benefício para o país, em termos de balança energética”. Também nas construções, estudos comprovam que é mais barata a implantação de sistema de aquecedores a GLP do que a energia elétrica, disse.
Ele chamou a atenção para a importância da substituição da lenha, que causa danos ambientais e problemas de saúde pública, pelo GLP. A lenha representa atualmente cerca de 32% da matriz energética residencial no Brasil. Para vencer esse desafio, Mello sugeriu a fixação de preço do gás com destinação específica, de modo a desestimular a utilização de lenha.
A superação desses desafios poderá levar a uma expansão média do setor de GLP no Brasil de cerca de 2,5% nos próximos anos. “Pode chegar a 12 milhões de toneladas de consumo no Brasil daqui a 10 ou 15 anos”, estimou. “Existe potencial para, nos próximos 15 a 20 anos, a gente aumentar em 80% as nossas vendas”. Em 2012, o Sindigás prevê uma elevação das vendas em torno de 2%.
O Sindigás está trabalhando com o Ministério de Minas e Energia para rever a restrição, em vigor desde 1991, ao uso de GLP em motores a explosão. Essa proibição foi definida por ocasião da guerra entre os Estados Unidos e o Iraque e, segundo Mello, não faz sentido hoje em dia. A exceção é no uso de empilhadeiras.

Fonte: JMA-Jornal Meio Ambiente

Processo de Reúso da água na cafeicultura permite economizar adubo

Além de consumir muita água, o processamento do café por via úmida cria outro problema ambiental, já que a água residuária é altamente poluente, a ponto de seu descarte ter de ser feito em lagoas de decantação, localizadas em áreas afastadas de cursos d'água.

Conforme o agrônomo e membro do corpo técnico da empresa italiana illycaffè, Sérgio D'Alessandro, após passar por alguns ciclos de lavagem, essa água se torna dez vezes mais poluente do que o esgoto doméstico. "O nível de demanda bioquímica de oxigênio (DBO) dessa água gira em torno de 5 mil mg/litro, e o limite máximo de DBO para que o resíduo possa ser jogado nos mananciais é de apenas 60 mg/litro." Não se trata, obviamente, dos mesmos poluentes encontrados no esgoto doméstico.

Mas, segundo D'Alessandro, além de acumular matéria orgânica, essa água fica enriquecida com macronutrientes como nitrogênio, potássio e fósforo. "Portanto, deixá-la parada em um lago, além de representar um risco de contaminação do solo no longo prazo é um desperdício", diz ele, que tem dado palestras visando a incentivar os produtores a usar esse resíduo como adubo, incorporando-o ao sistema de irrigação das propriedades.

Em Paula Cândido (MG), o cafeicultor Waldir Mol tem utilizado com êxito a água residuária para irrigar 34 hectares de café. Após ser reusada várias vezes, acumulando quantidade considerável de matéria orgânica, a água é bombeada para o alto de uma colina e, de lá, desce por valas abertas entre as fileiras do cafezal. "É uma destinação mais correta do ponto de vista ambiental e que traz economia em adubação química", destaca Mol.

Em Venda Nova do Imigrante (ES), o cafeicultor Pedro Carnielli também adota a mesma prática. Entretanto, no lugar de deixar a água infiltrar por valas, como Mol, ele faz a aspersão da água nas plantas e monitora constantemente os níveis de fixação dos nutrientes no solo. "Além de me livrar de um problema eu ainda consegui enriquecer minha área".

No fim, irrigação e fertilização da lavoura

O manejo das águas residuárias do café tem outras vantagens, além da economia de água no processo de lavagem e descascamento dos grãos cerejas. Ao fim do processo, a água pode ser utilizada uma última vez, desta vez na irrigação dos cafezais. A água é rica em nutrientes, que retornam à lavoura, via fertiirrigação. "Do ponto de vista da sustentabilidade é interessante, já que passa a ser cada vez menos necessário buscar nutrientes fora", diz o pesquisador da Embrapa Café, Sammy Soares.

Além disso, no futuro, a tendência é a de que os produtores passem a ter de pagar pela água que retiram na natureza, segundo explica o chefe da fazenda experimental do Incaper em Venda nova do Imigrante (ES), Aldemar Moreli.

De acordo com ele, já existem no Estado normas que preveem essa cobrança, mas que ainda não estão em prática. Em São Paulo, por exemplo, essa cobrança já começou em algumas regiões. Moreli destaca, ainda, que os órgãos responsáveis pelo licenciamento das unidades de processamento de café já estão exigindo também o manejo da água residuária.

Reúso da água chega à cafeicultura

Sistema baseado em tanques de decantação permite que água volte pelo menos três vezes à lavagem dos grãos.

Você tem ideia de quanta água é usada na lavoura para garantir, lá na ponta, uma xícara de café de qualidade? Pois vai muita. De acordo com estimativas de pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (MG), o processamento do café por via úmida, método utilizado para obtenção do café cereja descascado, considerado especial, consome, para cada litro de fruto processado, cerca de 3 a 5 litros de água limpa.

Trocando em miúdos, se para obter uma saca de 60 quilos de café é necessário um volume aproximado de 480 litros de frutos, a produção de uma única saca do grão beneficiado, pronto para ser torrado, pode consumir até 2.400 litros de água.

Ampliando a conta para o volume total de café cereja descascado produzido no Brasil (equivalente a cerca de 15% da safra de grãos, ou 7,05 milhões de sacas), o número ficaria próximo dos 17 bilhões de litros de água.

Mas uma técnica de manejo desenvolvida pelo pesquisador Sammy Soares, da Embrapa Café, em parceria com pesquisadores do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), e com o Consórcio de Pesquisa do Café, vem sendo testada com sucesso por produtores da região de Viçosa (MG) e Venda Nova do Imigrante (ES) e promete reduzir drasticamente esse números.

Trata-se de um sistema com estrutura baseada em caixas d"água, peneiras e tubos de PVC, que permite o reúso, por várias vezes - e não apenas uma utilização, como acontece normalmente -, da água empregada na unidade de processamento do café para fazer a lavagem e descascamento dos grãos.

Por decantação. O funcionamento é relativamente simples, segundo explica Soares. Após lavar e descascar o café em equipamentos próprios, toda a água é bombeada para três caixas d"água, que funcionam, uma após a outra, como tanques de decantação. "Nessas caixas ficam depositados no fundo os resíduos sólidos maiores. Já livre desses resíduos, a água passa por uma peneira e está pronta para ser reutilizada na própria lavagem dos graõs."

Na fazenda do cafeicultor Waldir Mol, no município de Paula Cândido (MG), região de Viçosa, eram gastos por dia, no método convencional de lavagem e retirada da casca, entre 20 mil e 25 mil litros de água para processar 12 mil litros de fruto. Atualmente, após investir R$ 8 mil para instalar o sistema de reúso, esse consumo caiu para menos da metade. Para processar a mesma quantidade de café, Mol gasta agora entre 7 mil e 8 mil litros.

A média de gasto, que estava entre 3 litros de água para cada litro de fruto, baixou para 1,5 litro. De acordo com ele, após entrar na unidade de processamento, a água é reutilizada por mais três vezes.

E há quem acredite que essa economia pode ser maior. É o caso do chefe da fazenda experimental do Incaper em Venda Nova do Imigrante (ES) - onde o sistema foi testado pela primeira vez -, Aldemar Moreli. Ele está concluindo sua tese de mestrado sobre o assunto e afirma que é possível, por meio da reutilização, reduzir o consumo para um pouco mais de meio litro de água. Ou seja, quase um décimo da média atual.

Investimento. Em Venda Nova do Imigrante, o produtor Pedro Carnielli afirma ter atingido esse nível, mas com investimento de R$ 20 mil, maior do que o feito por Mol. Com a utilização de filtros industriais, Carnieri conta que conseguiu economizar em três quartos o consumo de água necessário para processar 20 mil litros de café por dia. Hoje, no lugar de gastar 40 mil litros diariamente, sua unidade de processamento consome 10 mil litros de água para o mesmo volume de café.

Apesar dos bons resultados, os pesquisadores envolvidos na pesquisa, iniciada há cinco anos, dizem que ainda são poucos os produtores que fazem o reúso da água no processamento do café. Para Moreli, mais do que a falta de costume, já que existe mesmo um intervalo de tempo entre a criação de uma nova tecnologia e sua efetiva aplicação, é preciso continuar investindo no aprimoramento do sistema para torná-lo cada vez mais eficiente e também de baixo custo.

"Este ponto é crucial, já que a maioria das unidades de processamento está nas mãos de pequenos e médios produtores." Entretanto, ele não ignora a importância de se baratear ainda mais o sistema para que grandes produtores também se interessem em adotá-lo.

Fonte: JMA-Jornal Meio Ambiente | O Estado de S. Paulo

Líderes defendem ação conjunta em sustentabilidade

Divulgação
Centro sustentável na Holanda
Centro sustentável na Holanda: ONU quer mais ações nesse sentido
Genebra - Os líderes políticos e da sociedade civil fizeram nesta segunda-feira um chamado a ação conjunta de Governos, cidadania e setor privado para colocar em prática as recomendações da ONU em matéria de sustentabilidade.
Durante o debate especial sobre o relatório do Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global nesta segunda em Genebra, o diretor-geral do Escritório das Nações Unidas nesta cidade, Kassym-Jomart Tokayev, afirmou que os membros da mesa de debate 'representam uma clara demonstração da importância que têm as Nações Unidas na associação entre empresas e a sociedade civil'.
O relatório da ONU sobre sustentabilidade exige novo desenho da economia mundial para alcançar equilíbrio sustentável.
A ex-presidente da Confederação Helvética e membro do painel Micheline Calmy-Rey, quem também participou do debate, defendeu a necessidade de construir 'Governos melhores', por considerar estes 'essenciais' para desenvolvimento sustentável.
Além disso, defendeu pela mudança do marco legal para incentivar o desenvolvimento sustentável 'na direção necessária'.
O presidente da Solar Impulsione Project, Bertrand Piccard, celebrou que o relatório sobre sustentabilidade da ONU 'contemple pontos óbvios e tenha os pés no chão'.
Piccard encorajou os cidadãos a demonstrar seu 'espírito pioneiro' de forma individual para encorajar Governos e instituições a acatar recomendações da ONU.
O diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavía, declarou que o relatório 'serve para esclarecer o momento de incerteza entre dois ciclos econômicos'.
'Devemos seguir adiante para garantir crescimento não em números, mas da economia real. Necessitamos de uma análise popular que especifique como deveria funcionar o sistema financeiro, já foram feitas muitas análises por especialistas, mas nenhum partiu da sociedade', acrescentou.
O representante do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável europeu, Mark Halle, reivindicou um papel mais ativo para indústria, pois considerou importante mobilizar o capital privado a serviço do desenvolvimento sustentável, para o que reivindicou incentivos dos Governos.

Fonte: JMA-Jornal Meio Ambiente | EFE

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Rio+20: as críticas

Os documentos preparados pela ONU para a Conferência Rio+20 trazem informações importantes sobre inovações de cuidado ambiental mas as propostas que fazem — resumidas no conceito de economia verde — são escandalosamente ineficazes e até contraproducentes.

Antes da crise financeira, a Europa foi talvez o continente em que mais se
refletiu sobre a gravidade dos prolemas ecológicos que enfrentamos. Toda esta reflexão está hoje posta de lado e parece, ela própria, um luxo insustentável. Disso é prova evidente o modo como foram tratados pela mídia dois acontecimentos das últimas semanas, o Fórum Econômico Mundial de Davos e o Fórum Social Mundial Temático de Porto Alegre.

O primeiro mereceu toda a atenção, apesar de nada de novo se discutir nele: as análises gastas sobre a crise europeia e a mesma insistência em ruminar sobre os sintomas da crise, ocultando as suas verdadeiras causas. O segundo foi totalmente omitido, apesar de nele se terem discutido os problemas que mais decisivamente condicionam o nosso futuro: as mudanças climáticas, o acesso à água, a qualidade e a quantidade dos alimentos disponíveis ante as pragas da fome e da subnutrição, a justiça ambiental, os bens comuns da humanidade. Esta seletividade mediática mostra bem os riscos que corremos quando a opinião pública se reduz à opinião que se publica.

O Fórum de Porto Alegre visou discutir a Rio+20, ou seja, a Conferência da ONU sobre o desenvolvimento sustentável que se realiza no próximo mês de Junho no Rio de Janeiro, 20 anos depois da primeira Conferência da ONU sobre o tema, também realizada no Rio, uma conferência pioneira no alertar para os problemas ambientais que enfrentamos e para as novas dimensões da injustiça social que eles acarretam.

Os debates tiveram duas vertentes principais. Por um lado, a análise crítica dos últimos vinte anos e o modo como ela se reflete nos documentos preparatórios da Conferência; por outro, a discussão de propostas que vão ser apresentadas na Cúpula dos Povos, a conferência das organizações da sociedade civil que se realiza paralelamente à conferência intergovernamental da ONU. Nesta crônica centro-me na análise crítica e dedicarei a próxima crônica às propostas.

As conclusões principais da análise crítica foram as seguintes. Há 20 anos, a ONU teve um papel importante em alertar para os perigos que a vida humana e não humana corre se o mito do crescimento econômico infinito continuar a dominar as políticas econômicas e se o consumismo irresponsável não for controlado; o planeta é finito, os ciclos vitais de reposição dos recursos naturais estão a ser destruídos e a natureza “vingar-se-á” sob a forma de mudanças climáticas que em breve serão irreversíveis e afetarão de modo especial as populações mais pobres, acrescentando assim novas dimensões de injustiça social às muitas que já existem. Os Estados pareceram tomar nota destes alertas e muitas promessas foram feitas, sob a forma de convenções e protocolos. As multinacionais, grandes agentes da degradação
ambiental, pareceram ter ficado em guarda.

Infelizmente, este momento de reflexão e de esperança em breve se desvaneceu. Os EUA, então principal poluidor e hoje principal poluidor per capita, recusou-se a assumir qualquer compromisso vinculante no sentido de reduzir as emissões que produzem o aquecimento global. Os países menos desenvolvidos reivindicaram o seu direito a poluir enquanto os mais desenvolvidos não assumissem a dívida ecológica por terem poluído tanto há tanto tempo. As multinacionais investiram para influenciar as legislações nacionais e os tratados internacionais no sentido de prosseguir as suas atividades poluidoras sem grandes restrições.

O resultado está espelhado nos documentos preparados pela ONU para a Conferência Rio+20. Neles recolhem-se informações importantes sobre inovações de cuidado ambiental mas as propostas que fazem — resumidas no conceito de economia verde — são escandalosamente ineficazes e até contraproducentes: convencer os mercados (sempre livres, sem qualquer restrições) sobre as oportunidades de lucro em investirem no meio ambiente, calculando custos ambientais e atribuindo valor de mercado à natureza. Ou seja, não há outro modo de nos relacionarmos entre humanos e com a natureza que não seja o mercado. Uma orgia neoliberal.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

Fonte: Carta Maior

Como fazer eventos com menos impacto ambiental, social e econômico

Promover relacionamento com o público, divulgar uma marca e desenvolver setores da economia brasileira são os principais objetivos da indústria de eventos no país. Grandes projetos, no entanto, geram também enormes impactos ao meio ambiente, à sociedade e à economia. As grandes empresas já se preocupam com os danos causados e tentam minimizá-los, no entanto, com o crescimento do conceito no mercado, as companhias procuram seguir medidas simples para se posicionarem como sustentáveis. 
 
Com o intuito de auxiliar os organizadores neste processo, a ABNT Brasil instituiu a norma ISO 20121. A medida estará vigente a partir de junho deste ano e não será obrigatória, porém trará diretrizes para os gestores de produção, oferecendo soluções para as empresas desenvolverem a sustentabilidade em eventos, propondo mudanças em todas as etapas de planejamento. 
 
“As propostas são de que os impactos causados tanto na questão ambiental quanto social e econômica sejam medidos pelas empresas e também pelos stakeholders, que são os fornecedores, organizadores, patrocinadores, público visitante e os participantes. Desejamos que todos os envolvidos possam medir quais os impactos causados nestas três áreas e tentem minimizar os danos das ações”, declara Daniel de Freitas, Diretor de Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Eventos (IBEV), em entrevista ao Mundo do Marketing. 
 
Conscientização e engajamento de todos os envolvidos
 
Uma das preocupações abordada nas diretrizes do ISO 20121 é o engajamento do público e dos participantes nos eventos. É necessário que as empresas transmitam a conscientização de que os ouvintes e os palestrantes fazem parte do projeto de sustentabilidade e não são apenas agentes passivos no processo. Os visitantes estão incluídos nos impactos desde a forma como escolhem comparecer à programação, se pensam no desperdício de combustível e optam pelo transporte público ou a bicicleta. 
 
Os fornecedores também estão envolvidos na ação. Recrutar profissionais e utilizar materiais próximos ao local do evento são formas de cortar custos e diminuir os poluentes no ar. A realização da apresentação e as embalagens utilizadas fazem parte de uma gama de informações que precisam ser avaliadas ao longo do processo de planejamento. “As lixeiras de coleta seletiva, por exemplo, servem para a empresa realizar a divisão de materiais orgânicos e recicláveis, mas se o participante do evento não colabora colocando o lixo no lugar certo, a iniciativa não cumpre o seu objetivo. É preciso, portanto, conscientizar o público de que ele é parte do procedimento”, afirma Freitas. 
 
 
 
O engajamento das comunidades também está relacionado ao legado que os eventos deixam para a região. “Uma empresa realizou um evento fora dos seus domínios e queria montar um cenário. A companhia escolheu contratar uma ONG de artesãos locais e o cenógrafo da empresa treinou os trabalhadores da comunidade, que montaram todo o projeto. Os custos foram bem menores do que se chamassem profissionais de outra cidade e ainda gerou um impacto positivo, pois deixaram um conhecimento naquela comunidade”, explica Flávia Goldenberg Vice-Presidente de Relações Institucionais da Associação de Marketing Promocional (AMPRO), em entrevista ao portal. 
 
Eventos precisam gerar legado e minimizar impactos sociais 
 
As empresas, normalmente, focam a sustentabilidade em ações de diminuição de impacto ambiental, como a reciclagem e o descarte correto dos resíduos após eventos. Os impactos sociais, no entanto, não são prioridades no planejamento e causam grandes transtornos para os cidadãos. Como lembra o Diretor de Sustentabilidade do Ibev, em 2010, a Igreja Universal convocou a população para participar de um culto na Enseada de Botafogo, com a previsão de 100 mil pessoas, entretanto, compareceram um milhão. O evento causou uma desordem no trânsito de toda a Zona Sul do Rio de Janeiro durante horas e não havia também transportes e banheiros para atender a todos os presentes. 
 
Os impactos devem ser previstos antes da realização dos eventos para não gerarem tumultos. As Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro, receberam grande apoio da população para serem sediadas no país, no entanto, quando começaram a construir a estrutura para receber o evento e desapropriaram casas por preços mais baixos que os valores dos imóveis, houve reclamação das mesmas pessoas que vibraram com a escolha da cidade como sede. 
 
 
 
É necessário que os eventos tragam benefícios para os moradores da região antes, durante e depois da realização. Os organizadores devem se perguntar: a Vila Olímpica servirá a população? As estruturas montadas serão voltadas para o acesso de qualquer pessoa? As tendas utilizadas no Fórum Global Mundial ECO 92, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, por exemplo, foram transformadas em Lonas Culturais depois do evento. 
 
Por iniciativa da Secretaria de Cultura, a estrutura serviu ao propósito de levar atividades culturais a preços populares para regiões da cidade com baixo IDH e sem equipamentos culturais, tornado-as pontos de entretenimento para a população. “Sustentabilidade pressupõe acessibilidade, inclusão e um legado. O Festival de Inverno de Campos do Jordão é lembrado por várias marcas durante a alta temporada, mas nenhuma se preocupa em deixar uma herança social ou gerar um efeito positivo para os moradores da cidade no resto do ano”, expõe Flávia. 
 
Investimentos a longo prazo e mudança de comportamento
 
Além dos impactos ambientais e sociais, as empresas precisam ficar atentas aos econômicos, que não são apenas o retorno financeiro do evento, mas todos os investimentos feitos para trazer progresso ao espaço utilizado. Os organizadores necessitam compreender os gastos de uma produção mais sustentável para perceber que a opção aparentemente mais cara é também a mais rentável. 
 
“Nos eventos que ajudamos a organizar, sugerimos que as empresas usem produtos biodegradáveis na limpeza. Elas alegam que o material é muito mais custoso, mas, na verdade, o produto sai até mais barato. Acontece que, na comparação de um litro de ambos, o biodegradável é mais caro, por outro lado a diluição dele é bem maior que um desinfetante comum, com concentração de um para 500 litros de água, o que acaba sendo compensador”, diz o Diretor de Sustentabilidade da IBEV. 
 
Os orçamentos dos eventos saem em média 10% a 15% mais caros que os comuns, segundo a agência ConceitoEco. Alimentos orgânicos, tecidos de material PET e banners de algodão ainda custam mais que as alternativas tradicionais, mas é necessário enxergar a sustentabilidade como um processo de maturidade, dentro das condições operacionais e financeira de cada corporação. 
 
Começar com pequenas ações
 
Atualmente, as empresas recebem do IBEV uma certificação de sustentabilidade de acordo com as realizações prometidas e cumpridas pela companhia durante o evento. São divididas em cinco níveis, que buscam estimular as empresas a refletirem sobre como diminuir os seus impactos com uma certificação mínima até uma de excelência na estratégia. 
 
“A certificação funciona de forma que as empresas se propõem a fazer determinadas coisas, como utilizar 90% da iluminação do evento com lâmpadas LED e com isso reduzir ‘x’ de consumo de energia, usar o ar condicionado com um termostato que quando a sala estiver vazia desliga sozinho, sensores de presença para as luzes e assim por diante”, exemplifica Freitas. 
 
A realização de pequenas mudanças na produção pode trazer diferenças para a imagem e postura da empresa. O uso de equipamentos de segurança para a equipe de montagem, o oferecimento de alimentos orgânicos e a acessibilidade dos portadores de deficiências físicas são exemplos de medidas práticas e sustentáveis. 
 
“Antes de ser executado, o evento tem de ser raciocinado de forma sustentável no seu planejamento estratégico, desde a ambientação, que inclui locais que possam utilizar o máximo de luz natural para economizar energia elétrica, até a consideração que existem pessoas que não comem carne. O espaço também deve ter uma ampla disponibilidade de transportes públicos”, alega Ana Paula Caribé, Diretora da agência Conceito Eco, em entrevista ao Mundo do Marketing. 
 
 
Falsas compensações para a natureza
 
A execução de medidas sustentáveis em eventos, por vezes, tem perdido o seu real foco, que é a diminuição dos impactos causados, por uma regra de compensações de emissões de carbono na atmosfera sugerida pela Unesco. A iniciativa é válida em alguns casos, entretanto, muitas companhias deixam de se preocupar com os danos que podem acarretar a uma comunidade para calcular o quanto emitiram de dióxido de carbono (CO2) e fazerem uma margem de compensação. 
 
O ressarcimento pode ser feito plantando árvores. O processo é demorado e gerará retorno depois de 15 a 20 anos, além de não ser garantido que o plantio dê certo. Outro meio é a compra de créditos de carbono na Bolsa de Valores, gerados por medidas que transformaram CO2 em oxigênio puro. Estes caminhos não tornam o evento mais sustentável, mas maquiam uma possível falta de maturidade da empresa em lidar com os seus problemas. 
 
“Uma indústria não pode despejar resíduos químicos no mar e nos rios e depois compensar com a plantação de árvores. Os impactos sociais que a empresa pode causar não têm como serem indenizados. Se não foram previstos equipamentos para a participação de pessoas deficientes, como uma rampa de acesso ao palco, e o palestrante é uma cadeirante, o constrangimento da pessoa e do público será irreparável. Aconselhamos as empresas a pensarem primeiro na redução e não na compensação, que apenas atinge o meio ambiente e a sustentabilidade é um tripé”, finaliza o Diretor de Sustentabilidade da Ibev.

Fonte: JMA-Jornal Meio Ambiente | Mundo do Marketing

Faber-Castell captura mais de oito vezes a quantidade de CO2 que emite

A Faber-Castell acaba de divulgar seu inventário de GEE Gases de Efeito Estufa e o resultado é positivo. No ano de 2010, a empresa capturou 8,10 vezes a quantidade de CO2 emitida em todas as operações controladas pela matriz brasileira. A empresa aumentou em 6,3% a captura de gases de 2008 para 2010.
 
O relatório, finalizado recentemente, tem como base o ano de 2010 e aponta um incremento de 6,3% em relação ao resultado obtido em 2008, quando foi feito o primeiro inventário e a captação de gases nocivos ao meio ambiente chegou a 7,23 vezes a quantidade de gases emitidos. Com isto, a quantidade de gases capturados pela empresa, desde o ano de 2008, alcança volume suficiente para cobrir 21 anos de operação, se mantidas as emissões atuais.
 
A empresa possui áreas de reflorestamento e reservas nativas, que impactam na captação, além de uma matriz de emissões fortemente baseada em fontes renováveis, já que 81% das emissões da empresa são oriundas de fontes renováveis.
 
O levantamento, realizado pela ATA – Ativos Técnicos Ambientais, analisou o impacto em três níveis de emissão: Diretas – emissões que ocorrem diretamente nos processos e instalações próprias da empresa; Indiretas da energia adquirida – aquelas que ocorrem fora da empresa para a geração da energia elétrica ou térmica adquiridas pela empresa; e Outras Emissões Indiretas – emissões que ocorrem fora da empresa, relacionadas com a sua atividade.
 
Na região de Prata (MG), a Faber-Castell mantém cerca de 9,6 mil hectares divididos em 11 parques florestais, sendo que cerca de 2,6 mil hectares são áreas de preservação permanente e 6,7 mil ha de áreas plantadas com Pinus Caribaea. “O Pinus é a espécie apropriada para a fabricação de lápis e o nosso projeto está trazendo impactos positivos tanto à questão do clima e quanto à manutenção da biodiversidade, atendendo duas das maiores questões ambientais do planeta”, conta Jairo Cantarelli, gerente da Divisão Madeira da Faber-Castell.
 
O projeto de plantio iniciado pela fábrica em Prata, no final da década de 80, foi o primeiro projeto do segmento no mundo e atualmente a empresa é a maior produtora mundial de EcoLápis.
 
Tanto o plantio quanto os EcoLápis da empresa são certificados pelo FSC (Forest Stewardship Council), sendo que 95% dos lápis produzidos pela empresa são fabricados com madeira certificada por este selo. Os demais, são igualmente provenientes de florestas manejadas.
 
Para o presidente da Faber-Castell no Brasil, Marcelo Tabacchi, o resultado positivo do relatório GEE é fruto da constante preocupação com a sustentabilidade. “A responsabilidade socioambiental é um dos pilares da marca Faber-Castell e faz parte da história da empresa desde a sua fundação”, afirma.
 
Fonte: JMA-Jornal Meio Ambiente