Economista, Especialista em Economia e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Paraná e Graduando em Estatística, também, pela Universidade Federal do Paraná.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Exposição sobre a biodiversidade brasileira é aberta na Alemanha

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Flora brasileira também é destaque na mostra internacional/Foto: Tedd Santana
A exposição Brazilian Nature – Mystery and Destiny (“Natureza Brasileira – Mistério e Destino”), que aborda o conhecimento sobre a diversidade biológica do Brasil, foi inaugurada na quinta-feira, 2 de fevereiro, em Heidelberg (ALE), pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Museu da Universidade de Heidelberg.
Promovida em parceria com o Jardim Botânico e a Biblioteca da Universidade de Heidelberg, a exposição será aberta ao público nesta sexta-feira (03) e poderá ser visitada até o dia 29 de junho.
A mostra tem como referência principal a Flora Brasiliensis, obra do botânico alemão Carl Philipp von Martius (1794-1868), que mesmo 171 anos após ter seu primeiro volume publicado permanece como o mais completo levantamento da flora brasileira.
Com reproduções de imagens, ilustrações e textos explicativos, os 37 painéis que compõem a exposição foram concebidos com base nos dados provenientes de três projetos apoiados pela Fapesp: a Flora Brasiliensis On-line e Revisitada, a Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo e o programa Biota-Fapesp.
Representantes dos três projetos auxiliaram na compilação do conteúdo da mostra, que já foi apresentada com sucesso no Museu do Jardim Botânico de Berlim, em 2008, na Haus der Wissenschaft, em Bremen, em 2009, na Universidade de Leipzig e no Woodrow Wilson Center (Washington), em 2011.
A cerimônia de inauguração da exposição contou com a participação do diretor do Museu da Universidade de Heidelberg, Matthias Untermann, do diretor do Jardim Botânico, Marcus Koch, e do professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), Luciano Martins Verdade, membro da coordenação do Programa Biota-Fapesp.
Durante a cerimônia, Untermann destacou a alta qualidade da exposição, que reflete a excelência da produção científica brasileira no campo da biodiversidade. “Agradecemos à Fapesp pela iniciativa dessa exposição, que apresenta uma visão tão bela e interessante da biodiversidade brasileira."
Koch, que é professor catedrático na área de Biologia da Universidade de Heidelberg, disse que a exposição não apenas reflete a imensa diversidade de organismos no Brasil, mas também a qualidade da pesquisa na área de biodiversidade. “É notável observar a ampla gama de diferentes organismos estudados, indicando a originalidade e a qualidade da pesquisa brasileira sobre biodiversidade, que reflete o caráter único da natureza do país”, acrescentou à Agência Fapesp.
Segundo ele, a diversidade biológica é um tema central nos dois países. “Na Alemanha, tivemos grandes perdas de biodiversidade com a destruição de ecossistemas como pântanos, várzeas e florestas. Assim, foram desenvolvidas estratégias nacionais de conservação, restauração e desenvolvimento da biodiversidade. Por outro lado, a biodiversidade brasileira tem um papel fundamental no funcionamento do ecossistema global. Por isso o debate sobre a biodiversidade é central nos dois países”, observou.

Fonte: JMA-Jornal Meio Ambiente | Redação Ecod

Brasil poderá ter cálculo de PIB Verde

Por Vanessa Daraya
Copos recicláveis
O Modelo é inspirado na China
São Paulo - O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) criou o projeto de lei 2900/11. Segundo a proposta, o Brasil poderá considerar o impacto ambiental ao definir o PIB (Produto Interno Bruto).
Pelo projeto, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), órgão já responsável pelo cálculo do PIB, também divulgará anualmente o PIB Verde. Ele levará em conta o patrimônio ecológico nacional, além dos critérios e dados econômicos e sociais tradicionalmente utilizados.
Segundo comunicado publicado na Câmara dos deputados, Otavio Leite ressalta que o cálculo do PIB deixa de lado uma das maiores riquezas do Brasil, seu patrimônio ecológico. Portanto, a proposta tem como objetivo suprir essa lacuna ao determinar que o órgão responsável pelo cálculo do PIB nacional divulgue o PIB Verde.
O modelo é inspirado na China. Em 2006, o país lançou seu primeiro relatório verde, conforme anúncio feito pelo primeiro-ministro Wen Jiabao dois anos antes. Os dados que consideram as questões ambientais servem como indicador de como está o desenvolvimento econômico chinês.
Otavio Leite crê que o momento atual seja o ideal para colocar o projeto do PIB Verde em prática. Isso porque o Brasil está prestes a sediar a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.
Dessa forma, o país pode demonstrar a sua real preocupação em alcançar um desenvolvimento sustentável, com uma melhora da produtividade. Tudo isso levando em consideração a preservação dos recursos naturais.

Fonte: JMA-Jornal Meio Ambiente

Carbono mais 'caro' pode salvar espécies

Por SABINE RIGHETTI - DE SÃO PAULO

Quanto maior o valor de mercado da tonelada de carbono não emitido na atmosfera, mais espécies de plantas e de animais que vivem nas florestas são preservadas.
É o que indica um estudo de pesquisadores europeus coordenados por um economista brasileiro.
O grupo parte do princípio de que as políticas de crédito de carbono ajudam a manter as florestas em pé.
editoria de arte/folhapress

Isso porque o sistema permite que quem tenha preservado suas florestas venda créditos a quem tenha poluído além do que determinam as convenções internacionais.
A política começou a ser discutida na primeira reunião do painel do clima da ONU, em 1988.
A ideia é que esse tipo de negociação aconteça principalmente entre países ricos (que poluem muito) e os mais pobres (que emitem menos carbono e venderiam seus créditos).
A conclusão dos pesquisadores é que quanto mais alto o valor do crédito de carbono no mercado, mais sobrevida ganham as florestas e os animais que vivem nela.
Sem as políticas de crédito de carbono, calculam os cientistas, 36 mil espécies de animais e de plantas florestais seriam extintas até 2100.
Com a tonelada de carbono a US$ 7, valor perto do que é negociado hoje, cerca de 50% dessas espécies seriam preservadas até 2100.
Se o preço subisse para US$ 25 a tonelada, a preservação aumentaria para 94% das espécies florestais.
Para o economista Bernardo Strassburg, do ISS (Instituto Internacional para Sustentabilidade), que coordenou o trabalho, negociar a tonelada do carbono a US$ 25 é bastante factível. "Em 2007, quando o mercado de crédito de carbono estava aquecido, chegamos a negociar a tonelada a US$ 34."
De acordo com Strassburg, o IPCC (painel do clima da ONU) considera que até US$ 100 por tonelada são aceitáveis.
Hoje, o mercado de crédito de carbono está desaquecido por falta de acordo nas convenções internacionais de clima.
Além disso, algumas correntes defendem que os créditos favorecem mais o mercado do que o ambiente.
DEPENDE DA FLORESTA
Os impactos dos créditos de carbono na preservação das espécies, de acordo com a pesquisa, dependem da biodiversidade da floresta e variam em cada região.
"Na Mata Atlântica, por exemplo, a manutenção da floresta reduziria significativamente a perda de biodiversidade do Brasil", disse o coordenador do trabalho.
Para o economista, é importante saber quais áreas valem mais a pena serem preservadas para direcionar políticas. Ele lembra que manter as florestas não significa ter menos áreas agrícolas.
"Podemos expandir a produção agrícola por meio de novas tecnologias, sem mexer nas florestas."
O estudo foi publicado no domingo na revista "Nature Climate Change". Agora, os cientistas planejam ampliar a análise do impacto das políticas de carbono na preservação em áreas não florestais, como as savanas.

Fonte: Folha

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Lago Paranoá é vítima do assoreamento

DEGRADAÇÃO
Volume de água já caiu 7% por causa dos sedimentos vindos do Riacho Fundo e Córrego Bananal (Foto: Glaucya Braga)

O Lago Paranoá já perdeu 7% de seu volume devido ao depósito de sedimentos e ao crescimento de vegetação típica do assoreamento. O processo de degradação está extremamente acelerado. Pesquisadores consideram astronômica a quantidade de sedimentos depositada ali. “Seriam milhares de anos em um ambiente natural para que chegássemos ao nível que temos agora no Lago Paranoá”, analisa Henrique Roig, professor do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB). Além de sedimento, o lago é alvo da descarga clandestina de esgoto e, nos pontos onde a água ainda poderia ser conservada para despejo no lago, pessoas jogam detergente e sabão em pó.

A estimativa dos especialistas é que, no caso de uma chuva torrencial no Distrito Federal, a taxa de carreamento em dois dos braços de deságue da Bacia do Rio Paranoá – do Bananal, próximo à Ponte do Bragueto; e Riacho Fundo, próximo à Ponte das Garças – seja maior que um ano inteiro na região de deságue do Torto, que não tem atividade intensa da construção civil. “O processo de construção é o vilão da história toda”, afirma o pesquisador. O assoreamento no braço do Bananal teria uma aceleração elevada, principalmente, após o processo ocorrido no Setor Noroeste, de desmatamento e revolvimento da terra que, exposta, é levada pelas águas das chuvas ao braço do Bananal.

Da mesma forma, o processo de desenvolvimento de cidades como Águas Claras e Vicente Pires teria impactado gravemente o braço do Riacho Fundo. “Em todas as obras que estão dentro da área de contribuição do Lago Paranoá, as ações de controle de erosão são feitas depois que já aconteceu a pior parte dessas obras. O solo fica exposto e sem proteção e, quando começam as enxurradas, elas acabam carregando essa terra. Fica solto e disponível para que seja carregada até o lago que está logo abaixo”, detalha o  pesquisador em hidrologia da Embrapa-Cerrados, Jorge Werneck, que é coordenador da câmara técnica do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranoá. Ele explica que é fácil perceber esse movimento dos sedimentos, pelos restos que ficam depositados no caminho que fazem com as chuvas, e também, no asfalto.

Fonte: Jornal de Brasília

Mudança em emissão de licença pode atrasar regularização fundiária

Decisão determina que a liberação ambiental de obras volte a ser expedida pelo Ibama

Vicente Pires: a análise dos processos da cidade foi iniciada pelo Ibama, mas acabou repassada ao Ibram
Vicente Pires: a análise dos processos da cidade foi iniciada pelo Ibama, mas acabou repassada ao Ibram
Uma decisão judicial vai causar uma reviravolta no licenciamento ambiental de empreendimentos no DF. Três anos depois da remessa de todos os processos para o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), vinculado ao governo local, a União retomará a responsabilidade de liberar obras, condomínios e indústrias na maior parte do território do DF. A decisão é da 21ª Vara de Justiça Federal, que suspendeu um decreto presidencial de 2009 e determinou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) volte a analisar todos os recursos de licenciamento relativos à Área de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central. A unidade de conservação abrange 65% das terras do Distrito Federal. A decisão foi em primeira instância e a Procuradoria-Geral do DF já anunciou que vai recorrer da sentença.

A polêmica em torno do assunto começou em 2002, quando o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, assinou um decreto criando a APA do Planalto Central e colocou mais da metade das terras do DF sob a gestão do Ibama. À época, as invasões de áreas públicas e os casos de grilagem eram frequentes no noticiário nacional e o Ministério do Meio Ambiente quis aumentar o rigor na liberação de empreendimentos. O então governador, Joaquim Roriz, tentou derrubar a norma com uma ação direta de inconstitucionalidade, mas a Justiça manteve a legislação em vigor.

Desde que o decreto passou a valer, os sucessivos governos do DF lutaram para retomar a gestão ambiental das terras situadas na APA, com o argumento de que a lei feria a autonomia da capital. Em 2009, um novo decreto devolveu a atribuição ao GDF e o Executivo precisou contratar pessoal para que o Ibram tivesse condições de retomar os trabalhos de licenciamento. Quando os processos estavam no Ibama, havia muitos conflitos entre os governos federal e local, especialmente por conta da emissão de licenças relativas a obras públicas. O Setor Noroeste, por exemplo, teve que passar pelo crivo do Ibama. A regularização de Vicente Pires também começou a ser analisada pelo órgão, antes de ser repassada ao Ibram.

Confirmação

O Ministério Público Federal entrou com ação civil pública para tentar assegurar que as autorizações dentro da APA do Planalto Central fossem conduzidas pelo Ibama. A Justiça acatou o argumento, mas a decisão ainda precisa ser confirmada pelo Tribunal Regional Federal e a Procuradoria-Geral do DF já prepara o recurso. A sentença foi proferida em dezembro e, pouco depois, a presidente Dilma Rousseff aprovou uma norma que pode alterar os rumos dos debates sobre a gestão da APA. A Lei Complementar n° 140/2011 estabeleceu que “a União é responsável pelo licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades localizados em unidades de conservação instituídas pelo governo federal, exceto em áreas de proteção ambiental”. Assim, caso a sentença da 21ª Vara Federal seja confirmada, é possível que apenas processos antigos sejam remetidos ao Ibama e que os novos permaneçam com o Ibram.

As possíveis mudanças na gestão da APA do Planalto Central preocupam até mesmo os responsáveis pelos órgãos ambientais. O superintendente do Ibama no DF, Luiz Eduardo de Castro Nunes, defende uma gestão compartilhada entre o instituto e o Ibram. “Queremos trabalhar em conjunto, já tivemos reuniões com representantes do GDF”, comentou Luiz Eduardo. Em 2009, quando houve a mudança na gestão, o Ibama repassou para o Ibram cerca de 700 processos.

Com as alterações promovidas pelo decreto, o núcleo de licenciamento do Ibama acabou e os funcionários acabaram transferidos para outros setores. Assim, caso o trabalho seja mesmo transferido novamente para a União, será preciso reforçar o quadro de pessoal. “Se voltarmos a fazer licenciamentos, será preciso fazer uma reestruturação”, explicou o superintendente do Ibama no DF.

Para o secretário de Meio Ambiente do GDF, Eduardo Brandão, a mudança de responsabilidade de gestão da APA seria um “retrocesso”. Ele diz que, atualmente, não há necessidade desse tipo de intervenção. “Hoje, estamos maduros para gerir os processos de licenciamentos. A decisão representa um golpe na independência do DF e vai até contra a Lei Complementar nº 140, aprovada no em 2011”, comentou Eduardo. Hoje, cerca de 600 processos tramitam no Ibram.
Fonte: Correio Braziliense

Por Helena Mader

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Relatório da ONU alerta para a pressão crescente sobre os recursos naturais

O relatório entregue na segunda-feira (30) ao secretário-geral da ONU já está sendo apresentado com o sucessor do famoso relatório Brundtland que, em 1987, se tornou um marco ao introduzir a noção de desenvolvimento sustentável no debate internacional.
Redigido a pedido de Ban Ki-moon por um grupo de 22 personalidades de “alto nível” e de diferentes esferas – entre as quais o ministro indiano do Desenvolvimento Rural, Jairam Ramesh, a ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a comissária europeia para o Clima, Connie Hedegaard, e a própria Gro Harlem Brundtland - , o documento deve colocar sob pressão política a cúpula Rio +20, que reunirá chefes de Estado e de governo entre os dias 20 e 22 de junho na cidade brasileira, e que custa a se fazer visível em uma atualidade dominada pela crise econômica e financeira.
Os fatos enumerados por esse relatório de aproximadamente cem páginas deverão bastar para convencer que um desenvolvimento sustentável não é mais um ideal de contornos difusos, como era 25 anos atrás, mas sim uma necessidade urgente. Todos os anos, nas cidades da Ásia, da América do Sul e, em uma menor proporção, na África, 70 milhões de pessoas entram para a classe média – ou seja, dois bilhões até 2030 – e aspiram a um modo de vida e de consumo “ocidentalizado”.
Ao mesmo tempo, embora a pobreza tenha recuado em todo o mundo ao longo das últimas décadas, a fome continua sendo uma realidade para quase 1 bilhão de pessoas. Para satisfazer todas as necessidades, seria preciso aumentar a produção agrícola em 50% até 2030, a produção de energia em 45% e melhorar a disponibilidade de água em 30%.
Nossos modelos de desenvolvimento simplesmente não são compatíveis com os “limites” do planeta, afirma o relatório, referindo-se aos trabalhos conduzidos pelo Stockholm Resilience Center. Esse instituto de pesquisa dirigido por um especialista em recursos marinhos, Johan Rockström, propôs em 2009 um quadro que estabelece as fronteiras que não devem ser ultrapassadas para não colocar em risco o equilíbrio físico do planeta e as capacidades de renovação dos recursos naturais.
Ele estabelecia assim “um espaço de segurança” dentro do qual deveriam ser inscritas as estratégias de desenvolvimento em escala mundial. Nove limites foram definidos, entre eles: a mudança climática, a erosão da biodiversidade, a poluição química, a diminuição da camada de ozônio, o desmatamento, a disponibilidade de água potável ou ainda a acidificação dos oceanos.
Ora, para três deles – a mudança climática, a erosão da biodiversidade e a perturbação do ciclo do nitrogênio que influi, entre outras coisas, na fertilidade dos solos e na produtividade dos oceanos - , os pesquisadores acreditavam que os limites já haviam sido ultrapassados.
Em 25 anos, esses perigosos limites já mencionados pelo relatório Brundtland se tornaram uma realidade com a qual era preciso lidar. Sem isso, alertou o relatório, “corremos o risco de condenar até 3 bilhões de pessoas à pobreza”. Três vezes mais do que hoje.
Essa constatação, mais preocupante ainda quando se antecipam suas possíveis consequências, mereceria toda a atenção dos governantes. No entanto, constatam os membros do grupo de trabalho dentre os quais quase todos tiveram cargos políticos, “é difícil ser contra o princípio de desenvolvimento sustentável, mas na verdade existem poucos incentivos para colocá-lo em prática”. Isso porque “as políticas e as instituições são recompensadas por objetivos de curto prazo (...) e, para os próprios políticos, o tempo que conta é o presente.” O futuro das próximas gerações continua sendo secundário, portanto.
Então a audácia dos relatores é ainda maior, uma vez que eles propõem que a partir de 2014 seja mudado o programa de pilotagem da economia mundial, trocando aos poucos o velho produto interno bruto (PIB) por um índice de desenvolvimento sustentável levando em consideração o esgotamento dos recursos.
“A maioria dos bens e dos serviços vendidos hoje não integram corretamente o custo social e ambiental associados à sua produção”, explicam. O crescimento da forma como é definido pelo PIB não diz se esse desempenho material é obtido com a destruição ambiental ou prejudicando os funcionários, explica o relatório, citando o trabalho da Comissão sobre a Medida do Crescimento e do Progresso Social, criada em 2009 por Nicolas Sarkozy e presidido pelos economistas Joseph Stiglitz, Amartya Sen e Jean-Paul Fitoussi.
Estaria a comunidade internacional pronta para dar esse salto? Entre as 56 recomendações feitas pelo relatório, a mudança concreta de paradigma aparece como uma das grandes questões sobre as quais os governos deverão se pronunciar na Rio +20. A única que pode enfim dar uma tradução concreta para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: UOL

Estudo inédito da WWF mostra que o Pantanal está ameaçado

Os jacarés descansam nos bancos de areia enquanto uma iguana se lança no mangue: no Pantanal, a natureza é generosa, mas este santuário de biodiversidade no coração da América do Sul está ameaçado pela agricultura intensiva e pelo desmatamento.
Ambientalistas do World Wildlife Fund (WWF) soaram o alarme por ocasião do Dia Mundial das Zonas Úmidas, celebrado todos os dias 2 de fevereiro desde 1997, para resgatar este santuário do Mato Grosso.
Os cientistas da ONG se apoiam em um estudo inédito publicado após três anos de pesquisas, realizado por cerca de 30 especialistas de quatro países (Brasil, Paraguai, Bolívia e Argentina), que compartilham a bacia do rio Paraguai, que nasce no Mato Grosso e percorre 2.600 km antes de desaguar no Rio Paraná, na Argentina.
Segundo o WWF, esta região que se estende por 1,2 milhão de km2 corre um grave risco ecológico.
O biólogo Glauco Kimura, coordenador do programa "Water for Life" ("Água para a vida") do WWF, é categórico: "o Pantanal está ameaçado. Isto pode parecer surpreendente, mas é a triste realidade. Nosso estudo demonstra que 14% da bacia do rio Paraguai deve ser protegida de maneira urgente".
Antes de percorrer de barco as curvas do rio Cuiabá, sobrevoado por algumas aves de rapina e por uma série de papagaios coloridos, Kimura e sua equipe se detêm na floresta da Chapada dos Guimarães.
A vista é excepcional. Mostra, de longe, o exuberante Pantanal, verdadeiro santuário ecológico. Mas é do alto, no Planalto (conhecido também como "Cerrado"), que vem o perigo.
"Comparo esta região a um prato", explica o ecologista. "O Planalto nas bordas e o Pantanal no fundo do prato. E o segundo sofre com os excessos do primeiro".
O desmatamento, a agricultura excessiva, o desenvolvimento urbano ou a multiplicação de represas hidroelétricas são alguns dos riscos para as águas que alimentam o Pantanal.
Percorrendo o Cerrado, são descobertos milhares de hectares de explorações agrícolas, sobretudo de soja. Em meio dos campos que se perdem de vista, um trator lança um líquido amarelo com um forte odor químico. São herbicidas.
Cerca de 15% da cobertura vegetal do Pantanal já foi destruída pelos cultivos de soja e pelos pastos para o gado, estima o WWF.
Isto alarma o canadense Pierre Girard, especialista em hidrologia do Centro de Pesquisas do Pantanal (independente), outro dos autores do estudo.
"A soja é cultivada onde nascem os rios que alimentam e formam posteriormente o Pantanal. Há riscos de erosão, mas também de contaminação do Pantanal", assegura.
Realizado igualmente em colaboração com a ONG The Nature Conservancy, o estudo do WWF insiste na necessidade para os países e as regiões envolvidas de unir seus esforços.
"Não há mais lugar para os cultivos abundantes como se existisse um estoque infinito de floresta nativa a destruir e de água doce a contaminar", afirma Kimura.
Para o biólogo, a proteção da bacia do rio Paraguai - onde apenas 11% do território é atualmente uma zona protegida - é vital para conservar a extraordinária riqueza da fauna e da flora, que possui 4.500 espécies diferentes.
"Portanto, é necessário proteger as fontes de água, criar mais zonas protegidas e melhorar as práticas agroalimentícias", assegura Kimura.


Fonte: UOL